Olá amigos,
O intuito desta nova série de posts é analisar o conjunto de informações
contidas nas obras "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec e da série
"Sabedoria do Evangelho" de Carlos Torres Pastorino.
Este estudo está no início, sendo um extrato inicial, então há muito
ainda o que complementar (buscadas as primeiras 83 perguntas de "O
Livro dos Espíritos" e as primeiras 25 páginas do Volume I de
"Sabedoria do Evangelho"). Não pretendemos aqui, de forma alguma,
esgotar o assunto, mas sim reflexionar o quanto uma obra complementa a outra,
embora já se saiba de antemão que existem visões diferentes do mesmo ponto.
Não consideramos isso um problema uma vez que a Verdade sempre esteve
presente em todos os povos e em todos os tempos, não sendo de uma única
vertente ou de uma única nação a propriedade da Revelação Divina, ainda que em
caráter parcial.
Pontos sobre "O Livro dos Espíritos" / Allan Kardec:
- Tendência
a uma visão dualista, filosofia vigente no século XIX, onde
matéria e espíritos são coisas separadas. [1]
- Diferença
entre os conceitos de "espírito" e "Espírito", onde:
- espírito:
criação da centelha divina ou princípio inteligente, criado simples e
ignorante por Deus em algum lugar do tempo.[2]
- Espírito:
é o espírito que já passou pelos reinos mineral, vegetal e animal. Quando
chega à fase humana, advém a consciência ganhando um perispírito para
entrar na roda das encarnações como espírito encarnado. [3]
- Apesar
de chamar o "espírito" de incorpóreo admite que este seja feito
de alguma matéria (quintessenciada). [4]
Pontos sobre "Sabedoria do Evangelho" - Volume I / Carlos
Torres Pastorino:
- O
autor foi tradutor de várias obras de Pietro Ubaldi, portanto traz no seu
bojo a visão ubaldista da Criação (1951).[5]
- Traz
a visão monista onde espírito e matéria são coisas
intrinsecamente ligadas e que fica difícil evidenciar onde é o ponto de
divisão entre as duas. [6]
- Explica
que a centelha divina provém de Deus, que irradia esta centelha, gera a
partir de si mesmo uma fagulha de luz. Está criada então a
Individualidade, que por sua vez é formada por uma tríplice manifestação: [7]
- 1 -
a Centelha-Divina
- 2 -
a Mente Criadora
- 3 -
o Espírito
- A
centelha divina, se separa de Deus, vibracionalmente, "caindo"
na matéria, onde a luz que se distanciou se tornou energia e que por sua
vez, se tornou matéria. Ou seja, o Espírito se "cristalizou"
dentro da matéria, está ali incubado e vai iniciar sua jornada nos reinos
inferiores (mineral, vegetal e animal). [8]
Considerações:
Neste ponto da comparação, já percebemos que os autores usam os mesmos
termos para nomear coisas diferentes, onde o "Espírito", para
Pastorino, faz parte da composição de um aspecto tríplice que iniciará seu
estágio nos reinos inferiores. Já Allan Kardec já trata o "Espírito"
como um ser que já passou pela fieira dos reinos e entrou para a roda das
reencarnações (no mundo espiritual: Espírito e Perispírito e na matéria:
Espírito, Perispírito e Corpo Físico).
Não obstante essa diferença e o mais importante a se dizer é que
Pastorino vem detalhar na sua obra o momento "espírito" na obra de
Kardec, já que este foca muito mais nas relações e consequências dos atos
dos "Espírito" nas suas reencarnações humanas. [9]
Pastorino vai tratar deste tema ("Espíritos" na visão de
Kardec) ao abordar o plano da Personalidade, plano quaternário e mais externo
do ser: [10]
- 1 -
o Intelecto (também denominado mente concreta, porque age no cérebro
físico e através dele);
- 2 -
o astral, plano em que vibram os sentimentos e emoções;
- 3 -
o duplo etérico, em que vibram as sensações e instintos;
- 4 -
o corpo físico ou denso, que é a materialização de nossos pensamentos,
isto é, dos pensamentos e desejos do Espírito, acumulando em si e
exteriorizando na Terra, todos os efeitos produzidos pelas ações passadas
do próprio Espírito.
Ainda, segundo Pastorino, a Intuição é o aspecto de ligação entre o
Plano da Individualidade e o Plano da Personalidade, ou seja, a centelha divina
está em nós, Deus está em nós, O Reino de Deus está em vós, Vós sois deuses,
Deus te responde em ti mesmo, temos todas as respostas em nós mesmos.
Conforme seguir o estudo comparativo, seguiremos com o paralelo entre as
obras.
Muita paz a todos!
[1] O Livro dos Espíritos - Allan
Kardec – Comentário de Allan Kardec na pergunta 28: “Um fato patente
domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um
princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas
duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há
pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se
é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma
emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas;
daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo.
Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as
governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência
suprema é que chamamos Deus.”
[2] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta
25a: Essa união é
igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por
espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades
que por esse nome se designam.)
[3] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Nota
de Allan Kardec na Pergunta 76: Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os
Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do
mundo material.” Nota - A palavra Espírito é empregada aqui para designar as
individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do
Universo.
[4] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta
82: Será certo
dizer-se que os Espíritos são imateriais? “Como se pode definir uma coisa,
quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego
de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais
exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser
alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e
tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”
[5] A Grande Síntese – Pietro Ubaldi – Vide nome do tradutor.
[6] Sabedoria do
Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas – MANIFESTAÇÃO
CRÍSTICA - O processo é claro: o Raio-Divino tem EM SI, potencialmente, a
matéria (já que o MAIS contém o MENOS) e a vibração mais elevada contém em si,
potencialmente, a vibração mais baixa. Não havendo diferença outra, entre
espírito e matéria, senão a da escala vibratória, se o espírito “baixa”
demais suas vibrações, ele chega à materialização, ou seja, congela-se, na
expressão de Albert Einstein. Mas o oposto é também verdadeiro: a matéria
contém EM SI, potencialmente, o espírito: bastar-lhe-á fazer elevar-se sua
frequência vibratória, para retornar a ser espírito puro.
[7] [8] [10] Sabedoria
do Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas - RESUMO
DA TEORIA DA ORIGEM E DO DESTINO DO ESPÍRITO - Recordemos, ainda, que o
Espírito, à medida que se vai aperfeiçoando, vai construindo para si veículos
materiais cada vez mais aperfeiçoados. Começou na escala mais baixa da
matéria - o MINERAL - e Jesus ensinou: meu Pai pode suscitar destas pedras filhos
de Abraão (Mat. 3:9 e Luc. 3:8), coisa que já fora explicada no Gênesis (2:7)
quando está dito que a origem do homem é o pó da terra, isto é, o MINERAL. Mas
o EU irá forçando o aperfeiçoamento dos veículos, fazendo aparecerem qualidades
maiores, com o desenvolvimento do DUPLO ETÉRICO, passando a manifestar-se no
reino-vegetal; depois desenvolverá o CORPO ASTRAL, e penetrará o reino-animal. Em
outras palavras poderíamos dizer: o mineral desenvolve a sensação física,
quando então atinge o reino-vegetal (e hoje está cientificamente comprovado que
os vegetais sentem.); e o faz enviando seus átomos, em serviço, para ajudar a
formar o corpo dos vegetais, animais e homens, em contato com os quais os
átomos minerais adquirem experiência. Continuando a evolução, desenvolver-se-á
a sensibilidade, como a têm os animais.
[9] Revista Espírita - Allan Kardec - Ano 1866 - Edição de Janeiro - O
Espiritismo tem Lugar Reservado na Filosofia e nos Conhecimentos Usuais: “(...)
Sem se deter nos diversos sistemas relativos à natureza íntima e à origem da
alma, o Espiritismo a considera na espécie humana; constata, em razão de
seu isolamento e de sua ação independente da matéria, durante a vida e depois
da morte, sua existência, seus atributos, sua sobrevivência e sua
individualidade. (...)”.

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