Mostrando postagens com marcador carlos torres pastorino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador carlos torres pastorino. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Paralelo entre "O Livro dos Espíritos" e "Sabedoria do Evangelho" I




Olá amigos, 

O intuito desta nova série de posts é analisar o conjunto de informações contidas nas obras "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec e da série "Sabedoria do Evangelho" de Carlos Torres Pastorino.

Este estudo está no início, sendo um extrato inicial, então há muito ainda o que complementar (buscadas as primeiras 83 perguntas de "O Livro dos Espíritos" e as primeiras 25 páginas do Volume I de "Sabedoria do Evangelho"). Não pretendemos aqui, de forma alguma, esgotar o assunto, mas sim reflexionar o quanto uma obra complementa a outra, embora já se saiba de antemão que existem visões diferentes do mesmo ponto.

Não consideramos isso um problema uma vez que a Verdade sempre esteve presente em todos os povos e em todos os tempos, não sendo de uma única vertente ou de uma única nação a propriedade da Revelação Divina, ainda que em caráter parcial.

Pontos sobre "O Livro dos Espíritos" / Allan Kardec:
  • Tendência a uma visão dualista, filosofia vigente no século XIX, onde matéria e espíritos são coisas separadas. [1]
  • Diferença entre os conceitos de "espírito" e "Espírito", onde:
    • espírito: criação da centelha divina ou princípio inteligente, criado simples e ignorante por Deus em algum lugar do tempo.[2]
    • Espírito: é o espírito que já passou pelos reinos mineral, vegetal e animal. Quando chega à fase humana, advém a consciência ganhando um perispírito para entrar na roda das encarnações como espírito encarnado. [3]
  • Apesar de chamar o "espírito" de incorpóreo admite que este seja feito de alguma matéria (quintessenciada). [4]

Pontos sobre "Sabedoria do Evangelho" - Volume I / Carlos Torres Pastorino:
  • O autor foi tradutor de várias obras de Pietro Ubaldi, portanto traz no seu bojo a visão ubaldista da Criação (1951).[5]
  • Traz a visão monista onde espírito e matéria são coisas intrinsecamente ligadas e que fica difícil evidenciar onde é o ponto de divisão entre as duas. [6]
  • Explica que a centelha divina provém de Deus, que irradia esta centelha, gera a partir de si mesmo uma fagulha de luz. Está criada então a Individualidade, que por sua vez é formada por uma tríplice manifestação: [7]
    • 1 - a Centelha-Divina
    • 2 - a Mente Criadora
    • 3 - o Espírito
  • A centelha divina, se separa de Deus, vibracionalmente, "caindo" na matéria, onde a luz que se distanciou se tornou energia e que por sua vez, se tornou matéria. Ou seja, o Espírito se "cristalizou" dentro da matéria, está ali incubado e vai iniciar sua jornada nos reinos inferiores (mineral, vegetal e animal). [8]

Considerações:

Neste ponto da comparação, já percebemos que os autores usam os mesmos termos para nomear coisas diferentes, onde o "Espírito", para Pastorino, faz parte da composição de um aspecto tríplice que iniciará seu estágio nos reinos inferiores. Já Allan Kardec já trata o "Espírito" como um ser que já passou pela fieira dos reinos e entrou para a roda das reencarnações (no mundo espiritual: Espírito e Perispírito e na matéria: Espírito, Perispírito e Corpo Físico).

Não obstante essa diferença e o mais importante a se dizer é que Pastorino vem detalhar na sua obra o momento "espírito" na obra de Kardec, já que este foca muito mais nas relações e consequências dos atos dos "Espírito" nas suas reencarnações humanas. [9]

Pastorino vai tratar deste tema ("Espíritos" na visão de Kardec) ao abordar o plano da Personalidade, plano quaternário e mais externo do ser: [10]
  • 1 - o Intelecto (também denominado mente concreta, porque age no cérebro físico e através dele);
  • 2 - o astral, plano em que vibram os sentimentos e emoções;
  • 3 - o duplo etérico, em que vibram as sensações e instintos;
  • 4 - o corpo físico ou denso, que é a materialização de nossos pensamentos, isto é, dos pensamentos e desejos do Espírito, acumulando em si e exteriorizando na Terra, todos os efeitos produzidos pelas ações passadas do próprio Espírito.
Ainda, segundo Pastorino, a Intuição é o aspecto de ligação entre o Plano da Individualidade e o Plano da Personalidade, ou seja, a centelha divina está em nós, Deus está em nós, O Reino de Deus está em vós, Vós sois deuses, Deus te responde em ti mesmo, temos todas as respostas em nós mesmos.

Conforme seguir o estudo comparativo, seguiremos com o paralelo entre as obras.

Muita paz a todos!

[1] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Comentário de Allan Kardec na pergunta 28: “Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.”

[2] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta 25a: Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam.)

[3] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Nota de Allan Kardec na Pergunta 76: Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.” Nota - A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.

[4] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta 82: Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais? “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

[5] A Grande Síntese – Pietro Ubaldi – Vide nome do tradutor.

[6] Sabedoria do Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas – MANIFESTAÇÃO CRÍSTICA - O processo é claro: o Raio-Divino tem EM SI, potencialmente, a matéria (já que o MAIS contém o MENOS) e a vibração mais elevada contém em si, potencialmente, a vibração mais baixa. Não havendo diferença outra, entre espírito e matéria, senão a da escala vibratória, se o espírito “baixa” demais suas vibrações, ele chega à materialização, ou seja, congela-se, na expressão de Albert Einstein. Mas o oposto é também verdadeiro: a matéria contém EM SI, potencialmente, o espírito: bastar-lhe-á fazer elevar-se sua frequência vibratória, para retornar a ser espírito puro.

 [7] [8] [10] Sabedoria do Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas - RESUMO DA TEORIA DA ORIGEM E DO DESTINO DO ESPÍRITO - Recordemos, ainda, que o Espírito, à medida que se vai aperfeiçoando, vai construindo para si veículos materiais cada vez mais aperfeiçoados. Começou na escala mais baixa da matéria - o MINERAL - e Jesus ensinou: meu Pai pode suscitar destas pedras filhos de Abraão (Mat. 3:9 e Luc. 3:8), coisa que já fora explicada no Gênesis (2:7) quando está dito que a origem do homem é o pó da terra, isto é, o MINERAL. Mas o EU irá forçando o aperfeiçoamento dos veículos, fazendo aparecerem qualidades maiores, com o desenvolvimento do DUPLO ETÉRICO, passando a manifestar-se no reino-vegetal; depois desenvolverá o CORPO ASTRAL, e penetrará o reino-animal. Em outras palavras poderíamos dizer: o mineral desenvolve a sensação física, quando então atinge o reino-vegetal (e hoje está cientificamente comprovado que os vegetais sentem.); e o faz enviando seus átomos, em serviço, para ajudar a formar o corpo dos vegetais, animais e homens, em contato com os quais os átomos minerais adquirem experiência. Continuando a evolução, desenvolver-se-á a sensibilidade, como a têm os animais.

[9] Revista Espírita - Allan Kardec - Ano 1866 - Edição de Janeiro - O Espiritismo tem Lugar Reservado na Filosofia e nos Conhecimentos Usuais: “(...) Sem se deter nos diversos sistemas relativos à natureza íntima e à origem da alma, o Espiritismo a considera na espécie humana; constata, em razão de seu isolamento e de sua ação independente da matéria, durante a vida e depois da morte, sua existência, seus atributos, sua sobrevivência e sua individualidade. (...)”.