Olá amigos,
No post anterior fizemos referência à Kardec e Pastorino no que concerne
aos termos utilizados por cada autor na definição principalmente da palavra
Espírito.
Hoje vamos tratar da convergência dos conceitos de monismo e dualismo
(esta é a nossa proposta principal), duas correntes filosóficas que travaram e
ainda travam embates nas questões filosóficas do Espiritualismo.
Allan Kardec tende para a visão dualista[1], em virtude de no
século XIX ainda viger o dualismo de Descartes e a física clássica newtoniana,
onde ainda não haviam ocorrido as descobertas de Albert Einstein no que
concerne a evolução do conceito de matéria/energia, onde o átomo ainda era
considerada a menor partícula.
Já Carlos Torres Pastorino, ao beber na fonte de Pietro Ubaldi na metade
do século XX, vai citar o monismo[2] onde Deus está em
tudo e tudo está em Deus, ampliando a visão de monoteísmo, pois se antes Deus
era externo, agora é o todo.
No comentário da questão 28 de “O livro dos Espíritos”, apesar de Kardec
trazer a visão dualista, ainda nela, com total sobriedade e espírito científico,
traz a informação de que a origem das coisas ainda é ignorada, desconhecida,
abrindo possibilidade para a teoria monista. E ainda mais, ao analisar a primeira
pergunta do mesmo livro, encontraremos o conceito monista, já que Deus é causa
primária/causa primeira de todas as coisas. [3]
Uma das coisas mais interessantes e que traz também o sentido de
complementariedade entre o legado de Kardec e de Pastorino, é que Emmanuel, na obra
homônima Emmanuel, no capítulo “XXXIII - Quatro Questões de Filosofia”, no título
“Espírito e Matéria”, responde: [4]
“Será
lícito considerar-se espírito e matéria como dois estados alotrópicos de um só
elemento primordial, de maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente
em luta, dualista e monista, chegando-se a uma concepção unitária do Universo?
Resposta
– É lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência
imutável, chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo.
Dentro, porém, desse monismo físico-psíquico, perfeitamente conciliável com
a doutrina dualista, faz-se preciso considerar a matéria como o estado negativo
e o espírito como o estado positivo dessa substância. O ponto de integração
dos dois elementos estreitamente unidos em todos os planos do nosso relativo
conhecimento, ainda não o encontramos. (...)”
Destacamos abaixo um link onde pode ser lida e refletida a
posição de Carlos Juliano Torres Pastorino sobre a obra de Allan Kardec e a possível
convergência com o pensamento de Ubaldi: [5]
Tamanha grandeza é a obra de Ubaldi, que Emmanuel, através de Chico
Xavier, vem falar dele e sua obra, em que: “Pietro Ubaldi interpreta o
pensamento das altas esferas espirituais, de onde ele provém”. Portanto, o
próprio Emmanuel vem avalizar o trabalho deste autor. [6]
Até o momento de nosso conhecimento, nos parece que Pastorino mergulhou
tão profundamente na obra de Ubaldi que chega a repetir o pensamento deste em
suas obras, mas concluiremos isto mais adiante.
Não obstante os pontos acima, se o Cristo nos disse, há dois mil anos,
que enviaria o Consolador para explicar estas coisas (passado) e as coisas futuras
e ainda, considerando que em todos os momentos da Humanidade houve Revelações, não
é viável que ainda façamos o papel de Satanás, no sentido de opositor,
separador.
Acreditamos que os interessados na Verdade e no bem, que estão de coração aberto, livres de preconceitos e buscando um horizonte maior, poderão verificar que entre estas duas linhas de pensamento há uma visível congruência. O que a
separa, aparentemente, é um aspecto temporal, porém, Emmanuel veio corrigir a seu
tempo este ponto, ao dissertar em seu primeiro livro sobre a questão monista/dualista entre Espírito e Matéria.
[1] Dicionário de Filosofia – Edição Revista e Ampliada – Nicola Abbagnano
- DUALISMO (in. Dualism; fr. Dualisme, ai. Dualismus. it. Dualismo).
Esse termo foi cunhado no séc. XVIII (aparece pela primeira vez, provavelmente,
em THOMAS HYDE, Historia religionis veterumpersarum, 1700, cap. IX, p. 164),
para indicar a doutrina de Zoroastro, que admite dois princípios ou divindades,
um do bem e outro do mal, em luta constante entre si. Bayle e Leibniz empregam
essa palavra no mesmo sentido, mas Christian Wolff dá-lhe significado diferente,
ao dizer que são "dualistas aqueles que admitem a existência de
substâncias materiais e de substâncias espirituais" (Psychol. rat., § 39).
Esse foi o significado que se tornou mais comum e difundido na tradição
filosófica. Segundo ele, o fundador do dualismo seria Descartes, que
reconheceu a existência de duas espécies diferentes de substâncias: a corpórea
e a espiritual. Essa palavra, todavia, muitas vezes foi estendida para
indicar outras oposições reais que os filósofos descobriram no universo: p.
ex., a oposição aristotélica entre matéria e forma, a medieval entre existência
e essência e uma oposição que ocorre em todos os tempos, entre aparência e
realidade. Arthur O. Lovejoy examinou historicamente a revolta contra o D.
(TheRevolt Against Dualism, 1930), insistindo na necessidade de certa forma de
D. ou pelo menos de "bifurcação da experiência" que justifique a distinção
entre a aparência ilusória e a realidade (v. MONISMO).
[2] Dicionário de Filosofia – Edição Revista e Ampliada
– Nicola Abbagnano - MONISMO (in. Monism; fr. Monisme, ai. Monismns; it.
Monismo). Wolff chamava de "monistas" os filósofos "que
admitem um único gênero de substância" (Psychol. rationalis, § 32),
compreendendo nessa categoria tanto os materialistas quanto os idealistas.
Porém, conquanto algumas vezes tenha sido usado para designar estes últimos ou
pelo menos algum aspecto de sua doutrina, esse termo foi constantemente
monopolizado pelos materialistas; quando usado sem adjetivo, designa o
materialismo. Isso se deve provavelmente ao fato de ter sido adotado por um dos
mais populares autores de obras materialistas, o biólogo F.rnst Haeckel (Der
Monismns ais Band zwischen Keligion und Wissenschaft. 1893). Nesse sentido, o
termo foi empregado no nome da Associação Monística Alemã (Deutsche
Monistenbund), fundada em 1906 por Haeckel e por Ostwald, bem como no título de
uma das mais antigas revistas filosóficas americanas, 'lheMonist, fundada em
1890 por Paul Canis.
[3] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Comentário de Allan
Kardec na pergunta 28: “Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos
matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que
independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são
desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto
entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade,
um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade,
ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las
formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso
uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue
delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos
Deus.”
[4] Emmanuel – Espírito Emmanuel / Francisco
Cândido Xavier - FEB.
[5] O Sistema – Gênese e Estrutura do Universo – Pietro
Ubaldi – Mensagem denominada “Impressão” localizada antes do Prefácio – Editora
Instituto Pietro Ubaldi.
[6] Grandes Mensagens – Pietro Ubaldi – Segunda Parte
– Capítulo 04 – Editora Instituto Pietro Ubaldi.

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