segunda-feira, 25 de maio de 2020

Humildade e Transição Planetária


A Cabala Judaica (Qabbalah) nos traz uma situação muito interessante acerca do tema humildade.

Não estamos falando aqui da Cabala Esotérica, muito comentada e utilizada pelos artistas e adivinhos do mundo, mas sim de um tratado místico "pouco disseminado" na tradição judaica primitiva. [1]

Os mestres cabalistas, ao se referir à humildade, não se ajoelhavam, mas se deitavam.

Por quê? Para que este movimento trouxesse a ideia da humildade!

Explico: O termo Adão vem de adamah, ou seja, terra em hebraico. Humano vem do grego humus, sendo que humildade também deriva desta palavra. Desta forma, ajoelhar-se não era suficiente pois oa criatura (humus) ainda não estava no máximo da representação da sua humildade (também humus), então era preciso deitar-se no chão para simbolizar que aquela terra (humus/adamah) estava propícia para ser fertilizada. [2]

Ou seja, quando nós nos colocamos como um "cisco", assim como dizia Francisco Cândido Xavier, seres abertos às novas propostas de vida que Deus nos traz, estaremos aptos a nos reconstruir de forma segura.

Isso nos remete ao ensinamento de Jesus: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, pois delas é o Reino dos Céus"[3], nos ensinando que esse é o verdadeiro símbolo, o de "estado infantil" de humildade, de abertura, de sede do saber, de conhecer, de viver... sem os paradigmas, idiossincrasias e ideias formadas já fixadas em adultos.

O orgulho, que é exatamente o contrário de humildade, é uma das chagas da Humanidade como nos traz a Doutrina Espírita, uma vez que nos fecha em nossa própria visão de mundo, nos tornando resistentes e teimosos àquilo que não podemos controlar.

Sim, ainda gostamos de controlar tudo! Às vezes, até mesmo os outros...

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Relembrando a situação do povo hebreu no Egito, quando escravo do faraó, Deus enviou as 10 pragas que atingiram a todos, tanto egípcios quanto hebreus. Foi somente após a última praga que o faraó determinou a soltura do povo hebreu, que posteriormente caminhou no deserto por 40 anos.

Ficamos nos perguntando: Por que motivo Deus teria enviado todas estas pragas?

A resposta é que Deus envia a dor para que nosso orgulho seja desmontado. Ou seja, as pragas, muito mais do que para a população, tinham a finalidade de amolecer o coração do faraó, o governante. O seu orgulho não admitia "perder" aqueles escravos que sustentavam a luxúria, os vícios e os prazeres desse povo.

Façamos agora uma analogia com aquilo que somos formados: Espírito (do grego pneuma), perispírito e corpo físico.

Segundo André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos[4], nosso corpo possui milhares de milhares de princípios inteligentes em ação, que por sua vez atendem ao comando do Espírito encarnado a que se liga. Desta forma, caracterizamos aqui o Espírito encarnado como o "faraó" e esta quantidade imensa de princípios inteligentes do corpo como a "população".

Toda vez que nosso Espírito adoece, adoece também o nosso perispírito, em seguida o corpo físico e por conseguinte todas as células que o compõem. E isso acontece por nossa própria decisão, fruto do livre arbítrio que temos ao realizar nossas escolhas. Vejamos que, em última instância, somos responsáveis por milhares de vidas em formação e que nossas ações positivas ou negativas também lhes refletem a consequência.

Para estes princípios inteligentes, o determinismo atua a todo momento e tudo é uma nova experiência, tal qual àquela atitude das crianças citada por Jesus no versículo citado. Eles estão em patamar inferior de evolução que corresponde ao programa divino traçado anteriormente. Para o povo egípcio e hebreu, à sua época, trata-se de provas e expiações como consequência de seus atos em tempos anteriores. Nada escapa da Lei Divina, embora sua misericórdia infinita.

E o faraó? O faraó é o governante responsável. Se suas atitudes refletirem o bem e o amor em posição de humildade, aceitando os desígnios de Deus, ele e o seu povo se elevarão. Caso contrário, o seu orgulho continuará recebendo as "pragas", ou seja, as dores da vida, as provas e expiações até que esteja no mais fundo chão (humus), afim de que, após ter recebido tantas dores na vida, seu coração amoleça e cogite aceitar que não está no comando de nada. A cada um segundo suas obras.

Deus faz isso mesmo! Quanto mais acomodados estamos, mais cristalizados estamos em uma maneira de ver a vida, de pensar, de agir e após ter nos mostrados várias vezes o melhor caminho pelo amor, através de avisos por outras pessoas e situações, chegam as dificuldades para nos sacudir. E se nos mostrarmos ainda resistentes, chegam outras provações maiores e mais profundas até que a dureza do nosso coração crie fissuras, abrindo espaço para a humildade entrar, surgir.

É que Deus conversa conosco também pela dor... pelo sentir. Por este motivo é que para entender verdadeiramente a Deus, é preciso que Ele seja sentido e não somente raciocinado. Talvez esta seja também a chave para entender o Evangelho de Jesus: na troca de quem cura e é curado, de quem dá e de quem recebe, de quem tem o toque e de quem é tocado, de quem ama e de quem é amado...

Verificamos que a Escritura Bíblica tem pelo menos duas abordagens de onde podemos extrair lições: de forma individual e coletiva, sendo os reflexos os mesmos tanto em atitudes isoladas ou em conjunto.

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Os dias atuais são os de transição planetária.

No momento em que se aproxima a separação do joio e do trigo pelo Cristo, visando a entrada no Mundo de Regeneração, não serão diferentes estes dias daquelas "pragas" enviadas ao povo do Egito. Teremos ainda atribulações que deverão mexer não só com a estrutura geológica da Terra, mas também com as nossas estruturas interiores (moral, psicológica, relacional, emocional).

Por exemplo: a próxima fase da Terra não comportará expiações, ou seja, os espíritos que necessitam evoluir através desta necessidade, não reencarnarão mais aqui na Terra, pelo menos por enquanto. A alimentação deverá ser mais frugal, não se utilizando mais dos nossos irmãos animais. Não poderá existir nações materialistas que visam o poder tirando a liberdade do seu próprio povo.

Percebemos que somente pelos pontos citados, haverá uma revolução muito grande na sociedade em que vivemos e que com certeza também mexerá com os nossos destinos. Os eventos futuros atingirão povos e "faraós" de forma igual, porém a responsabilidade é proporcional.

Mas acima de tudo, como cita Allan Kardec no capítulo 18 de A Gênese[5], a nova geração se apresentará com extrema pujança a nos auxiliar neste processo, assim como na época do Egito lá estava Moisés auxiliando o povo na sua transição, na sua redenção. Lembrando ainda que a Doutrina Espírita nos revela que teremos, num futuro próximo, a figura do Messias do Espiritismo que virá restabelecer todas as coisas. [6]

Não obstante o auxílio do Alto, oremos pelos nossos atuais "faraós" e oremos pelas nações, pois dias difíceis estão mesmo para chegar. Mas, se estivermos com o coração aberto, em regime de aceitação, de humildade, como crianças, resignados em prece e nos propondo a atuar como aqueles verdadeiros cristãos da época de Jesus, passaremos pelas dificuldades com mais tranquilidade e com o coração repleto de alegria, por saber que estamos sendo úteis e instrumentos do Senhor.

"E não mais ensinará cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: - Conhece o Senhor! Porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior".[7]

Muita paz! 

[1] Palestra: Cabala Mística - Irmã Aíla Pinheiro - https://www.youtube.com/watch?v=udTFqRndI-Y&list=PLSOqGBL6mt5SM-2CKGTNCpRbwXkkKRRso

[2] Bíblia Sagrada – Velho Testamento – Livro de Gênesis – Capítulo 02, versículo 07

[3] Bíblia Sagrada – Novo Testamento – Evangelho de Mateus – Capítulo 19, versículo 14

[4] Evolução em Dois Mundos - André Luiz / Francisco Cândido Xavier - Capítulo 05: Células e Corpo Espiritual - Item: Princípios Inteligentes Rudimentares 

[5] A Gênese - Allan Kardec - Capítulo 18: São Chegados os Tempos - Item: A Geração Nova

[6] Revista Espírita - Allan Kardec - Edição de Fevereiro/1868 - Os Messias do Espiritismo

[7] Bíblia Sagrada – Novo Testamento – Carta de Paulo aos Hebreus – Capítulo 08, versículo 11

terça-feira, 28 de abril de 2020

Paralelo entre "O Livro dos Espíritos" e "Sabedoria do Evangelho" II



Olá amigos, 

No post anterior fizemos referência à Kardec e Pastorino no que concerne aos termos utilizados por cada autor na definição principalmente da palavra Espírito.

Hoje vamos tratar da convergência dos conceitos de monismo e dualismo (esta é a nossa proposta principal), duas correntes filosóficas que travaram e ainda travam embates nas questões filosóficas do Espiritualismo.

Allan Kardec tende para a visão dualista[1], em virtude de no século XIX ainda viger o dualismo de Descartes e a física clássica newtoniana, onde ainda não haviam ocorrido as descobertas de Albert Einstein no que concerne a evolução do conceito de matéria/energia, onde o átomo ainda era considerada a menor partícula.

Já Carlos Torres Pastorino, ao beber na fonte de Pietro Ubaldi na metade do século XX, vai citar o monismo[2] onde Deus está em tudo e tudo está em Deus, ampliando a visão de monoteísmo, pois se antes Deus era externo, agora é o todo.

No comentário da questão 28 de “O livro dos Espíritos”, apesar de Kardec trazer a visão dualista, ainda nela, com total sobriedade e espírito científico, traz a informação de que a origem das coisas ainda é ignorada, desconhecida, abrindo possibilidade para a teoria monista. E ainda mais, ao analisar a primeira pergunta do mesmo livro, encontraremos o conceito monista, já que Deus é causa primária/causa primeira de todas as coisas. [3]

Uma das coisas mais interessantes e que traz também o sentido de complementariedade entre o legado de Kardec e de Pastorino, é que Emmanuel, na obra homônima Emmanuel, no capítulo “XXXIII - Quatro Questões de Filosofia”, no título “Espírito e Matéria”, responde: [4]

“Será lícito considerar-se espírito e matéria como dois estados alotrópicos de um só elemento primordial, de maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente em luta, dualista e monista, chegando-se a uma concepção unitária do Universo?

Resposta – É lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável, chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo. Dentro, porém, desse monismo físico-psíquico, perfeitamente conciliável com a doutrina dualista, faz-se preciso considerar a matéria como o estado negativo e o espírito como o estado positivo dessa substância. O ponto de integração dos dois elementos estreitamente unidos em todos os planos do nosso relativo conhecimento, ainda não o encontramos. (...)”

Destacamos abaixo um link onde pode ser lida e refletida a posição de Carlos Juliano Torres Pastorino sobre a obra de Allan Kardec e a possível convergência com o pensamento de Ubaldi: [5]

Tamanha grandeza é a obra de Ubaldi, que Emmanuel, através de Chico Xavier, vem falar dele e sua obra, em que: “Pietro Ubaldi interpreta o pensamento das altas esferas espirituais, de onde ele provém”. Portanto, o próprio Emmanuel vem avalizar o trabalho deste autor. [6]

Até o momento de nosso conhecimento, nos parece que Pastorino mergulhou tão profundamente na obra de Ubaldi que chega a repetir o pensamento deste em suas obras, mas concluiremos isto mais adiante.

Não obstante os pontos acima, se o Cristo nos disse, há dois mil anos, que enviaria o Consolador para explicar estas coisas (passado) e as coisas futuras e ainda, considerando que em todos os momentos da Humanidade houve Revelações, não é viável que ainda façamos o papel de Satanás, no sentido de opositor, separador.

Acreditamos que os interessados na Verdade e no bem, que estão de coração aberto, livres de preconceitos e buscando um horizonte maior, poderão verificar que entre estas duas linhas de pensamento há uma visível congruência. O que a separa, aparentemente, é um aspecto temporal, porém, Emmanuel veio corrigir a seu tempo este ponto, ao dissertar em seu primeiro livro sobre a questão monista/dualista entre Espírito e Matéria.

[1] Dicionário de Filosofia – Edição Revista e Ampliada – Nicola Abbagnano - DUALISMO (in. Dualism; fr. Dualisme, ai. Dualismus. it. Dualismo). Esse termo foi cunhado no séc. XVIII (aparece pela primeira vez, provavelmente, em THOMAS HYDE, Historia religionis veterumpersarum, 1700, cap. IX, p. 164), para indicar a doutrina de Zoroastro, que admite dois princípios ou divindades, um do bem e outro do mal, em luta constante entre si. Bayle e Leibniz empregam essa palavra no mesmo sentido, mas Christian Wolff dá-lhe significado diferente, ao dizer que são "dualistas aqueles que admitem a existência de substâncias materiais e de substâncias espirituais" (Psychol. rat., § 39). Esse foi o significado que se tornou mais comum e difundido na tradição filosófica. Segundo ele, o fundador do dualismo seria Descartes, que reconheceu a existência de duas espécies diferentes de substâncias: a corpórea e a espiritual. Essa palavra, todavia, muitas vezes foi estendida para indicar outras oposições reais que os filósofos descobriram no universo: p. ex., a oposição aristotélica entre matéria e forma, a medieval entre existência e essência e uma oposição que ocorre em todos os tempos, entre aparência e realidade. Arthur O. Lovejoy examinou historicamente a revolta contra o D. (TheRevolt Against Dualism, 1930), insistindo na necessidade de certa forma de D. ou pelo menos de "bifurcação da experiência" que justifique a distinção entre a aparência ilusória e a realidade (v. MONISMO).

[2] Dicionário de Filosofia – Edição Revista e Ampliada – Nicola Abbagnano - MONISMO (in. Monism; fr. Monisme, ai. Monismns; it. Monismo). Wolff chamava de "monistas" os filósofos "que admitem um único gênero de substância" (Psychol. rationalis, § 32), compreendendo nessa categoria tanto os materialistas quanto os idealistas. Porém, conquanto algumas vezes tenha sido usado para designar estes últimos ou pelo menos algum aspecto de sua doutrina, esse termo foi constantemente monopolizado pelos materialistas; quando usado sem adjetivo, designa o materialismo. Isso se deve provavelmente ao fato de ter sido adotado por um dos mais populares autores de obras materialistas, o biólogo F.rnst Haeckel (Der Monismns ais Band zwischen Keligion und Wissenschaft. 1893). Nesse sentido, o termo foi empregado no nome da Associação Monística Alemã (Deutsche Monistenbund), fundada em 1906 por Haeckel e por Ostwald, bem como no título de uma das mais antigas revistas filosóficas americanas, 'lheMonist, fundada em 1890 por Paul Canis.

[3] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Comentário de Allan Kardec na pergunta 28: “Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.”

[4] Emmanuel – Espírito Emmanuel / Francisco Cândido Xavier - FEB.

[5] O Sistema – Gênese e Estrutura do Universo – Pietro Ubaldi – Mensagem denominada “Impressão” localizada antes do Prefácio – Editora Instituto Pietro Ubaldi.

[6] Grandes Mensagens – Pietro Ubaldi – Segunda Parte – Capítulo 04 – Editora Instituto Pietro Ubaldi.


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Paralelo entre "O Livro dos Espíritos" e "Sabedoria do Evangelho" I




Olá amigos, 

O intuito desta nova série de posts é analisar o conjunto de informações contidas nas obras "O Livro dos Espíritos" de Allan Kardec e da série "Sabedoria do Evangelho" de Carlos Torres Pastorino.

Este estudo está no início, sendo um extrato inicial, então há muito ainda o que complementar (buscadas as primeiras 83 perguntas de "O Livro dos Espíritos" e as primeiras 25 páginas do Volume I de "Sabedoria do Evangelho"). Não pretendemos aqui, de forma alguma, esgotar o assunto, mas sim reflexionar o quanto uma obra complementa a outra, embora já se saiba de antemão que existem visões diferentes do mesmo ponto.

Não consideramos isso um problema uma vez que a Verdade sempre esteve presente em todos os povos e em todos os tempos, não sendo de uma única vertente ou de uma única nação a propriedade da Revelação Divina, ainda que em caráter parcial.

Pontos sobre "O Livro dos Espíritos" / Allan Kardec:
  • Tendência a uma visão dualista, filosofia vigente no século XIX, onde matéria e espíritos são coisas separadas. [1]
  • Diferença entre os conceitos de "espírito" e "Espírito", onde:
    • espírito: criação da centelha divina ou princípio inteligente, criado simples e ignorante por Deus em algum lugar do tempo.[2]
    • Espírito: é o espírito que já passou pelos reinos mineral, vegetal e animal. Quando chega à fase humana, advém a consciência ganhando um perispírito para entrar na roda das encarnações como espírito encarnado. [3]
  • Apesar de chamar o "espírito" de incorpóreo admite que este seja feito de alguma matéria (quintessenciada). [4]

Pontos sobre "Sabedoria do Evangelho" - Volume I / Carlos Torres Pastorino:
  • O autor foi tradutor de várias obras de Pietro Ubaldi, portanto traz no seu bojo a visão ubaldista da Criação (1951).[5]
  • Traz a visão monista onde espírito e matéria são coisas intrinsecamente ligadas e que fica difícil evidenciar onde é o ponto de divisão entre as duas. [6]
  • Explica que a centelha divina provém de Deus, que irradia esta centelha, gera a partir de si mesmo uma fagulha de luz. Está criada então a Individualidade, que por sua vez é formada por uma tríplice manifestação: [7]
    • 1 - a Centelha-Divina
    • 2 - a Mente Criadora
    • 3 - o Espírito
  • A centelha divina, se separa de Deus, vibracionalmente, "caindo" na matéria, onde a luz que se distanciou se tornou energia e que por sua vez, se tornou matéria. Ou seja, o Espírito se "cristalizou" dentro da matéria, está ali incubado e vai iniciar sua jornada nos reinos inferiores (mineral, vegetal e animal). [8]

Considerações:

Neste ponto da comparação, já percebemos que os autores usam os mesmos termos para nomear coisas diferentes, onde o "Espírito", para Pastorino, faz parte da composição de um aspecto tríplice que iniciará seu estágio nos reinos inferiores. Já Allan Kardec já trata o "Espírito" como um ser que já passou pela fieira dos reinos e entrou para a roda das reencarnações (no mundo espiritual: Espírito e Perispírito e na matéria: Espírito, Perispírito e Corpo Físico).

Não obstante essa diferença e o mais importante a se dizer é que Pastorino vem detalhar na sua obra o momento "espírito" na obra de Kardec, já que este foca muito mais nas relações e consequências dos atos dos "Espírito" nas suas reencarnações humanas. [9]

Pastorino vai tratar deste tema ("Espíritos" na visão de Kardec) ao abordar o plano da Personalidade, plano quaternário e mais externo do ser: [10]
  • 1 - o Intelecto (também denominado mente concreta, porque age no cérebro físico e através dele);
  • 2 - o astral, plano em que vibram os sentimentos e emoções;
  • 3 - o duplo etérico, em que vibram as sensações e instintos;
  • 4 - o corpo físico ou denso, que é a materialização de nossos pensamentos, isto é, dos pensamentos e desejos do Espírito, acumulando em si e exteriorizando na Terra, todos os efeitos produzidos pelas ações passadas do próprio Espírito.
Ainda, segundo Pastorino, a Intuição é o aspecto de ligação entre o Plano da Individualidade e o Plano da Personalidade, ou seja, a centelha divina está em nós, Deus está em nós, O Reino de Deus está em vós, Vós sois deuses, Deus te responde em ti mesmo, temos todas as respostas em nós mesmos.

Conforme seguir o estudo comparativo, seguiremos com o paralelo entre as obras.

Muita paz a todos!

[1] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Comentário de Allan Kardec na pergunta 28: “Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.”

[2] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta 25a: Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam.)

[3] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Nota de Allan Kardec na Pergunta 76: Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.” Nota - A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo.

[4] O Livro dos Espíritos - Allan Kardec – Pergunta 82: Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais? “Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

[5] A Grande Síntese – Pietro Ubaldi – Vide nome do tradutor.

[6] Sabedoria do Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas – MANIFESTAÇÃO CRÍSTICA - O processo é claro: o Raio-Divino tem EM SI, potencialmente, a matéria (já que o MAIS contém o MENOS) e a vibração mais elevada contém em si, potencialmente, a vibração mais baixa. Não havendo diferença outra, entre espírito e matéria, senão a da escala vibratória, se o espírito “baixa” demais suas vibrações, ele chega à materialização, ou seja, congela-se, na expressão de Albert Einstein. Mas o oposto é também verdadeiro: a matéria contém EM SI, potencialmente, o espírito: bastar-lhe-á fazer elevar-se sua frequência vibratória, para retornar a ser espírito puro.

 [7] [8] [10] Sabedoria do Evangelho - Volume I - Carlos Torres Pastorino – O Prólogo de Lucas - RESUMO DA TEORIA DA ORIGEM E DO DESTINO DO ESPÍRITO - Recordemos, ainda, que o Espírito, à medida que se vai aperfeiçoando, vai construindo para si veículos materiais cada vez mais aperfeiçoados. Começou na escala mais baixa da matéria - o MINERAL - e Jesus ensinou: meu Pai pode suscitar destas pedras filhos de Abraão (Mat. 3:9 e Luc. 3:8), coisa que já fora explicada no Gênesis (2:7) quando está dito que a origem do homem é o pó da terra, isto é, o MINERAL. Mas o EU irá forçando o aperfeiçoamento dos veículos, fazendo aparecerem qualidades maiores, com o desenvolvimento do DUPLO ETÉRICO, passando a manifestar-se no reino-vegetal; depois desenvolverá o CORPO ASTRAL, e penetrará o reino-animal. Em outras palavras poderíamos dizer: o mineral desenvolve a sensação física, quando então atinge o reino-vegetal (e hoje está cientificamente comprovado que os vegetais sentem.); e o faz enviando seus átomos, em serviço, para ajudar a formar o corpo dos vegetais, animais e homens, em contato com os quais os átomos minerais adquirem experiência. Continuando a evolução, desenvolver-se-á a sensibilidade, como a têm os animais.

[9] Revista Espírita - Allan Kardec - Ano 1866 - Edição de Janeiro - O Espiritismo tem Lugar Reservado na Filosofia e nos Conhecimentos Usuais: “(...) Sem se deter nos diversos sistemas relativos à natureza íntima e à origem da alma, o Espiritismo a considera na espécie humana; constata, em razão de seu isolamento e de sua ação independente da matéria, durante a vida e depois da morte, sua existência, seus atributos, sua sobrevivência e sua individualidade. (...)”.