A Cabala Judaica (Qabbalah) nos traz uma situação muito interessante acerca do tema humildade.
Não estamos falando aqui da Cabala
Esotérica, muito comentada e utilizada pelos artistas e adivinhos do mundo, mas
sim de um tratado místico "pouco disseminado" na
tradição judaica primitiva. [1]
Os mestres cabalistas, ao se referir à
humildade, não se ajoelhavam, mas se deitavam.
Por quê? Para que este movimento
trouxesse a ideia da humildade!
Explico: O termo Adão vem de adamah,
ou seja, terra em hebraico. Humano vem do grego humus, sendo que
humildade também deriva desta palavra. Desta forma, ajoelhar-se não era
suficiente pois oa criatura (humus) ainda não estava no máximo da
representação da sua humildade (também humus), então era preciso
deitar-se no chão para simbolizar que aquela terra (humus/adamah) estava
propícia para ser fertilizada. [2]
Ou seja, quando nós nos colocamos como
um "cisco", assim como dizia Francisco Cândido Xavier, seres abertos
às novas propostas de vida que Deus nos traz, estaremos aptos a nos reconstruir
de forma segura.
Isso nos remete ao ensinamento de
Jesus: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, pois delas é o
Reino dos Céus"[3], nos ensinando que esse é o verdadeiro
símbolo, o de "estado infantil" de humildade, de abertura, de sede do
saber, de conhecer, de viver... sem os paradigmas, idiossincrasias e ideias
formadas já fixadas em adultos.
O orgulho, que é exatamente o contrário
de humildade, é uma das chagas da Humanidade como nos traz a Doutrina Espírita,
uma vez que nos fecha em nossa própria visão de mundo, nos tornando resistentes
e teimosos àquilo que não podemos controlar.
Sim, ainda gostamos de controlar tudo! Às
vezes, até mesmo os outros...
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Relembrando a situação do povo hebreu
no Egito, quando escravo do faraó, Deus enviou as 10 pragas que atingiram a
todos, tanto egípcios quanto hebreus. Foi somente após a última praga que o
faraó determinou a soltura do povo hebreu, que posteriormente caminhou no
deserto por 40 anos.
Ficamos nos perguntando: Por que motivo
Deus teria enviado todas estas pragas?
A resposta é que Deus envia a dor para
que nosso orgulho seja desmontado. Ou seja, as pragas, muito mais do que para a
população, tinham a finalidade de amolecer o coração do faraó, o governante. O
seu orgulho não admitia "perder" aqueles escravos que sustentavam a
luxúria, os vícios e os prazeres desse povo.
Façamos agora uma analogia com aquilo
que somos formados: Espírito (do grego pneuma), perispírito e corpo
físico.
Segundo André Luiz, no livro Evolução
em Dois Mundos[4], nosso corpo possui milhares de
milhares de princípios inteligentes em ação, que por sua vez atendem ao comando
do Espírito encarnado a que se liga. Desta forma, caracterizamos aqui o Espírito
encarnado como o "faraó" e esta quantidade imensa de princípios
inteligentes do corpo como a "população".
Toda vez que nosso Espírito adoece,
adoece também o nosso perispírito, em seguida o corpo físico e por conseguinte
todas as células que o compõem. E isso acontece por nossa própria decisão,
fruto do livre arbítrio que temos ao realizar nossas escolhas. Vejamos que, em
última instância, somos responsáveis por milhares de vidas em formação e que
nossas ações positivas ou negativas também lhes refletem a consequência.
Para estes princípios inteligentes, o
determinismo atua a todo momento e tudo é uma nova experiência, tal qual àquela
atitude das crianças citada por Jesus no versículo citado. Eles estão em
patamar inferior de evolução que corresponde ao programa divino traçado
anteriormente. Para o povo egípcio e hebreu, à sua época, trata-se de provas e
expiações como consequência de seus atos em tempos anteriores. Nada escapa da
Lei Divina, embora sua misericórdia infinita.
E o faraó? O faraó é o governante
responsável. Se suas atitudes refletirem o bem e o amor em posição de
humildade, aceitando os desígnios de Deus, ele e o seu povo se elevarão. Caso
contrário, o seu orgulho continuará recebendo as "pragas", ou seja,
as dores da vida, as provas e expiações até que esteja no mais fundo chão (humus),
afim de que, após ter recebido tantas dores na vida, seu coração amoleça e
cogite aceitar que não está no comando de nada. A cada um segundo suas obras.
Deus faz isso mesmo! Quanto mais
acomodados estamos, mais cristalizados estamos em uma maneira de ver a vida, de
pensar, de agir e após ter nos mostrados várias vezes o melhor caminho pelo
amor, através de avisos por outras pessoas e situações, chegam as dificuldades
para nos sacudir. E se nos mostrarmos ainda resistentes, chegam outras
provações maiores e mais profundas até que a dureza do nosso coração crie
fissuras, abrindo espaço para a humildade entrar, surgir.
É que Deus conversa conosco também pela
dor... pelo sentir. Por este motivo é que para entender verdadeiramente a Deus,
é preciso que Ele seja sentido e não somente raciocinado. Talvez esta seja
também a chave para entender o Evangelho de Jesus: na troca de quem cura e é
curado, de quem dá e de quem recebe, de quem tem o toque e de quem é tocado, de
quem ama e de quem é amado...
Verificamos que a Escritura Bíblica tem
pelo menos duas abordagens de onde podemos extrair lições: de forma individual
e coletiva, sendo os reflexos os mesmos tanto em atitudes isoladas ou em
conjunto.
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Os dias atuais são os de transição
planetária.
No momento em que se aproxima a
separação do joio e do trigo pelo Cristo, visando a entrada no Mundo de
Regeneração, não serão diferentes estes dias daquelas "pragas"
enviadas ao povo do Egito. Teremos ainda atribulações que deverão mexer não só
com a estrutura geológica da Terra, mas também com as nossas estruturas
interiores (moral, psicológica, relacional, emocional).
Por exemplo: a próxima fase da Terra
não comportará expiações, ou seja, os espíritos que necessitam evoluir através
desta necessidade, não reencarnarão mais aqui na Terra, pelo menos por
enquanto. A alimentação deverá ser mais frugal, não se utilizando mais dos
nossos irmãos animais. Não poderá existir nações materialistas que visam o
poder tirando a liberdade do seu próprio povo.
Percebemos que somente pelos pontos
citados, haverá uma revolução muito grande na sociedade em que vivemos e que
com certeza também mexerá com os nossos destinos. Os eventos futuros atingirão
povos e "faraós" de forma igual, porém a responsabilidade é
proporcional.
Mas acima de tudo, como cita Allan
Kardec no capítulo 18 de A Gênese[5], a nova geração se apresentará com
extrema pujança a nos auxiliar neste processo, assim como na época do Egito lá
estava Moisés auxiliando o povo na sua transição, na sua redenção. Lembrando
ainda que a Doutrina Espírita nos revela que teremos, num futuro próximo, a figura do Messias do Espiritismo que virá restabelecer todas as
coisas. [6]
Não obstante o auxílio do Alto, oremos
pelos nossos atuais "faraós" e oremos pelas nações, pois dias
difíceis estão mesmo para chegar. Mas, se estivermos com o coração aberto, em
regime de aceitação, de humildade, como crianças, resignados em prece e nos
propondo a atuar como aqueles verdadeiros cristãos da época de Jesus,
passaremos pelas dificuldades com mais tranquilidade e com o coração repleto de
alegria, por saber que estamos sendo úteis e instrumentos do Senhor.
"E não mais ensinará cada um a seu
próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: - Conhece o Senhor! Porque todos me
conhecerão, desde o menor deles até ao maior".[7]
Muita paz!
[1] Palestra: Cabala Mística - Irmã Aíla Pinheiro - https://www.youtube.com/watch?v=udTFqRndI-Y&list=PLSOqGBL6mt5SM-2CKGTNCpRbwXkkKRRso
[2] Bíblia Sagrada – Velho Testamento – Livro de Gênesis – Capítulo 02,
versículo 07
[3]
[4] Evolução em Dois Mundos - André Luiz / Francisco Cândido Xavier - Capítulo 05: Células e Corpo Espiritual - Item: Princípios Inteligentes Rudimentares
[5] A Gênese - Allan Kardec - Capítulo 18: São Chegados os Tempos - Item: A Geração Nova
[6] Revista Espírita - Allan Kardec - Edição de Fevereiro/1868 - Os Messias do Espiritismo
[7]

